O que fizeram com Norman Bates?
Tinha tudo para recusar, mas, corajosa, concordei com a escolha da fita, num fim de semana chuvoso: Psicose II. Sabendo que Hitchcock ganhou, com mérito, o apelido de “mestre do suspense”, que a cena em que Marion Crane é assassinada se tornou uma das mais famosas da história do cinema e que continuações de filmes que deram certo geralmente fracassam, é de se imaginar que o cineasta Richard Franklin seja um homem corajoso.

O filme começa bem, o que não é exatamente um mérito do diretor. Os primeiros minutos são a genial seqüência em que Norman Bates assassina a falsa protagonista de Psicose. Mesmo tendo completado 44 anos, a cena ainda é hipnotizante e forte. O espectador já contextualizado, damos um salto para uma audiência na qual se acerta os últimos detalhes da libertação/ alta de Norman, que nos laudos médicos é considerado mentalmente saudável.

Norman se imagina pronto para iniciar uma vida normal, e consegue um emprego numa lanchonete. No seu segundo dia de trabalho, começa a receber telefonemas e bilhetes, atribuídos a sua mãe. Mary Samuels (nome com o qual Marion Crane havia se registrado no motel, no primeiro filme), jovem que trabalha com ele na lanchonete, briga com o namorado e aceita o convite de Normam para passar alguns dias no Bates Motel, até as coisas se resolverem.  

Os bilhetes e telefonemas, autoritários e ameaçadores, são armação de alguém que pretende provocar Norman. Mary tenta ajudá-lo e logo se tornam amigos, embora Norman comece a ficar ansioso e desequilibrado de novo. Warren Toomey, gerente do motel despedido por Bates no seu primeiro dia de liberdade, é assassinado. Um rapaz que havia levado a namorada para se divertirem no porão da mansão também. Até que um dos suspeitos aparece morto. As suspeitas recaem sobre pessoas diferentes ao longo do filme, que tem algumas boas reviravoltas e momentos de suspense bem construídos, mas é triste ver o que fizeram com Norman Bates. Tentar explicar o que poderia ter acontecido com ele é um despropósito.

Ainda assim, o filme, de 1983, está disponível em VHS para quem estiver disposto a conferir a atuação de Anthony Perkins e Vera Miles (Lilá, irmã de Marion), revivendo seus personagens.

 

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Tento imaginar como seria um filme contando o que veio antes ou depois de Casablanca. Alguém teria interesse em saber por que Rich Blaine e Ilsa Lazlo foram tão felizes em Paris? E se tivesse, será que não obstruiria os caminhos da imaginação?

Sobre a hipótese de uma continuação, nem me atrevo a pensar. Se ainda se esbarraram em cafés pelo mundo, se foram felizes, se Rick continuou um canalha cínico com as mulheres, não sei.

Prefiro deixar certas coisas para imaginação...

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