Les jeux d’amour... (e meu saudosismo confesso)

“Il me dit des mots d'amour

Des mots de tous les jours,

Et ça me fait quelque chose”

                                   La vie en rose

 

Só pelas canções, já vale a pena (re)ver muitos clássicos. “Sabrina” é um deles, com Audrey Hepburn, William Holden e Humphrey Bogart na versão de 1954, dirigida por Billy Wilder. (Não vi a mais recente, de Sidney Pollack, fico devendo.) “La vie en rose”, a canção-tema, é linda e marcante, assim como “Moon River” também com Audrey, em “Bonequinha de Luxo”, ou “As time goes by” em “Casablanca”, numa lista que pode se esticar bastante. Não consigo lembrar de muitas canções marcantes em filmes mais recentes — muito menos usadas tão bem.

 

Eu podia falar da Audrey, a mulher que mais elegantemente já usou sapatilhas no mundo, desenhadas por Salvatore Ferragamo especialmente para combinar com os 1,75 m de altura da moça. Aliás, foi com “Sabrina” que as sapatilhas viraram sua marquinha pessoal no vestir. O figurino do filme é assinado por Hubert de Givenchy; ir ao cinema para esquecer as próprias mazelas vendo aqueles deslumbres de vestidos e histórias deliciosamente românticas me parece muito mais eficiente do que arrebentar o cartão de crédito no shopping.

 

Com Audrey, assisti “My Fair Lady” (me recuso a traduzir o título porque fica muito sem graça em português), “Bonequinha de Luxo” e “A Princesa e o Plebeu” (“Cinderela em Paris”, em que ela faz par com Fred Astaire, já está alugado; comentários a caminho). Nesses filmes, os personagens de Audrey têm em comum os contrastes derivados da riqueza e da pobreza, em especial relevância social versus anonimato e a elegância versus vulgaridade. A todos ela empresta estilo em doses cavalares, doçura e carisma imbatíveis; Audrey não é uma atriz impecável, mas foi usada no melhor de sua vocação nesses filmes.

 

Mas não quero falar da Audrey. Vi esses dias “Gilda”, com a Rita Hayworth, possivelmente em sua atuação mais célebre. Para mim, suficiente para justificar o mito. Aí entra de novo a questão da trilha sonora. Gilda cantando “Put the blame on Mame”, seja com voz e violão, da primeira vez, seja na cena em que, com um estonteante vestido preto, ela canta para provocar Johnny Farrell (Glen Ford), é arrasador. Rita tem um magnetismo poderoso, equivalente ao de Mame, da canção. Rita é dublada ao cantar; alguém se importa?

 

Voltando à “Sabrina”, o filme tem uma cena que entrou para minha seleção pessoal de cenas mais sexies do cinema. Quando Sabrina está dançando com Linus, personagem de Bogart (tinha que ser ele, né?!), a troca de olhares e o quase-beijo são de fazer céus e terra se fundirem.

 

Os finais de filmes hollywoodianos costumam me entediar, quando não me enfurecem. Mas de vez em quando começam tão bem, e seguram a onda tão bem, que eu perdôo os happy endings.

Qual é o tema de “Sonhos de um Sedutor”? Para começar, vamos ao título original: “Play it again, Sam”. Como todo mundo sabe, essa frase vem de “Casablanca”, da cena em que a Ilsa de Ingrid Bergman entra pela primeira vez no café de Rick — Humphrey Bogart está simplesmente arrasador. A frase em si nem é essa, Ingrid Bergman diz “Play it once, Sam. For old times' sake”. O pianista finge que não entendeu mas Ilsa não deixa saída: “Play it, Sam. Play ‘As Time Goes By’”. Fazer o quê? A fala que entrou pra história foi “Play it again, Sam”.

 

“Casablanca” era meu filme preferido, logo que comecei a gostar de cinema. Vi meia dúzia de bons filmes e hoje acho dificílimo escolher um. Mas Humphrey Bogart ainda é meu canalha do coração. Estou louca pra ver “Uma Aventura na Martinica”, pra ter uma idéia mais concreta do estrago que pode acontecer quando um Bogart e uma Bacall se cruzam pelos caminhos da vida (e nos sets de cinema). Woody Allen capta direitinho essa essência ao colocar o fantasma de Bogart como guru da sedução de mais um personagem neurótico e inseguro de Allen. Pra variar, funciona. Meninos, aprendam com quem entende das coisas. 

 

Mas eu falava do assunto de “Sonhos de um Sedutor”, que me parece ser a questão: é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Ou ainda: como é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Triângulos amorosos não são novidade na arte, pelo contrário. Um dos temas mais batidos, em especial na literatura e no cinema. Mais raro ver música sobre isso (possivelmente porque se faz cinema e literatura também como expurgo da alma, coisa que eu acho mais complicada de fazer com música). 

 

Delicioso quando um filme não resvala no moralismo para tratar de uma coisa tão preciosa como o amor. Não é fácil, mas Woody Allen não é um moralista. A crítica (e a força) da culpa judaica é um tempero delicioso, sem o qual ele não encontraria tanta leveza para falar da ambigüidade das coisas que simplesmente acontecem. E o eixo central se desloca para como lidar com o que acontece. O que fazer quando se ama duas pessoas? E há também a discussão do que é lealdade — porque no triângulo de “Sonhos de um Sedutor”, além de tudo, tem a amizade entre os personagens no meio.

 

Um outro filme que vai fundo na questão (ok, podem rir se quiserem) é “As pontes de Madison”, em parte pelas atuações oceânicas de Meryll Streep e Clint Eastwood. Já li comentários desabonadores sobre o filme, que associaram a predileção de senhorinhas quarentonas (ou cinqüentonas) por ele graças à empatia em situações de vida semelhantes à dos protagonistas. Bullshit. O filme é grande, universal. Nos dois casos, o que está em questão é a ambigüidade dos sentimentos, não a culpa dos adúlteros. E as escolhas pessoais de cada um — aquele momento fatal em que ninguém mais pode escolher por você, em que você está totalmente nu diante de si próprio.

 

Diante de uma encruzilhada afetiva, as escolhas pessoais quase nunca acabam sendo as decisivas. Antes de ouvir o coração, e tão somente o coração, vem a família, a religião, a sociedade, a história, a cultura, os costumes, as conveniências. Entram na pendenga outras formas de amor, seja por filhos, amigos ou até amor-próprio. E até isso passa por modismos sociais. Nada mais démodé nesses nossos dias do que abrir mão da “felicidade e realização pessoal” em nome de casamento ou de filhos. Será que alguma opção é mais válida que a outra? Válida pra quem? E por quê?

 

“Sonhos de um Sedutor” tem uma opção clara, mas não impositiva (embora críticos de plantão possam retrucar que, no fim, o personagem de Allen se martiriza pelo bem-estar alheio. Eu não acho. Quem discordar que vá ver filmes do Adrian Lyne e que seja muito feliz). O roteiro é de Allen, com direção de Herbert Ross. Ainda não vi “Matchpoint”, em que parece, pelo que andei lendo por aí, que Allen ficou um bocadinho mais cético e mais cruel. Tomara que não.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

O Brad Melhdau estava em São Paulo e eu não sabia!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Mudança: parte II

Momento de pânico: hora de remexer fitas e CDs.

 

Sou daquelas que acredita que a tela do computador não vai substituir o papel. Até pode substituir um dia, mas só quando inventarem um acessório que imite um livro praticamente à perfeição. Algo assim: uma tela pequena, portátil, que não brilhe como uma tela de televisão ou de computador, em que se vira a página em vez de rolar o texto, etc. E as bibliotecas pessoais ficariam armazenadas em HDs. Você simplesmente baixa os livros que quer ler no ônibus ou na cama, via wireless ou USB, e liga o “livro”, pequenino, portátil, tátil, e pode folhear, ler, sublinhar, acrescentar comentários (com uma caneta magnética que vem junto, “escreve” em várias cores e pode ser usada como marca-texto, etc). Perfeito, não? E o bichinho poderia ter, de quebra, uma placa para captar energia solar, como as calculadoras. Talvez baterias recarregáveis. Não é um Palm, ou um lapzinho, ou nada que o valha. É um livro digital mesmo, que simula o prazer quase carnal de ter os livros nas mãos, que quem gosta de ler não consegue dispensar.

 

Ou eu acabo de ter uma idéia genial que precisa ser urgentemente patenteada, ou é uma idéia tão estúpida e incapaz de funcionar que morreu antes de ser cogitadas a sério.

 

Tudo isso para chegar nas minhas fitas cassete e CDs, que foram trocados pelos MP3. CDs, nunca tive muitos. Quando eu comecei a  ter dinheiro para comprar minhas próprias coisas, CD já era muito caro, o Real tinha estabilizado e aquela impressão de que se tinha um absurdo de dinheiro na mão desmanchava. E a era das fitas estava acabando. Ainda peguei a rabeira daquele tempo em que as trocas de idéias e de música eram feitas pessoalmente, com fitinhas gravadas e capas feita à mão. Lados B, singles, coisas caras e importadas que a gente, do fã-clube, comprava em conjunto (essas eram as do Tears for Fears — sim, eu era do fã-clube do TFF, o In My Mind’s Eyes) e compartilhava pelas tais fitinhas. Ou ia um na casa do outro ouvir junto, o que era bem mais divertido.

 

E agora, cá estou eu, diante delas. Minha iniciação musical, toneladas de valor afetivo. A maioria gravada pelo André Gotz, que na época não assinava assim ainda. Smiths e Morrisey, Radiohead, Belle and Sebastian. Anos antes de estourar. O André sabe das coisas, não é à toa que se encheu daqui e foi morar tão longe. São Paulo ficou pequena mesmo para ele. Uma delas, que de um lado era coletânea dos Smiths e que do outro, tinha Morrisey, arrebentou de tanto que eu ouvia, estava um horror de gasta e eu não tinha coragem de jogar fora. Não ia conseguir comprar todos os CDs para ter as músicas da coletânea ao meu alcance.

 

Agora, já ouço todas elas no computador. Não nego que é melhor ter tudo mais fácil, longe um clique só. Mas não deixa de ter uma melancolia enorme em pensar em jogá-las fora. Assim como doar os CDs que estão encostados há séculos, porque nem aparelho de som eu tenho paciência de ligar mais.

 

Quando eu comecei a escrever esse texto, já tinha me despedido delas. Agora, não tenho mais tanta certeza do que fazer.

Mudança

No meio da bagunça da minha mudança, comecei a arrumar os livros que vão comigo. A sensação é a da salvar antes dos outros as pessoas mais preciosas para mim no meio de um naufrágio — junto com o alívio, invariavelmente um sentimento de culpa (reservado às telas, tintas e pincéis que nem sei quando vou empacotar). Tem uma pontinha de sentimento épico também. A cada livro salvo, é como se eu diminuísse a tragédia de um pequeno holocausto do conhecimento.

 

Para quem achar que estou fazendo um drama da situação, explico: recebi a ordem de me livrar deles. De tantos quantos fossem possível. De uma casa vou para um apartamento. E essa arrumação me faz passar os olhos nas capas de livros lidos com carinho, e me dou conta ao mesmo tempo de quanta coisa interessante e útil ainda tenho para ler em casa.

 

Passei no quarto dos meus irmãos para ver se nas estantes deles havia alguma coisa que valesse a pena salvar também (tenho certeza que eles não vão sofrer para decidir o que vai e o que fica). E acabei achando uma porção de livros infantis que não queria que fossem abandonados. Ivan Lessa, com as “Memórias de um Vira-Lata” e “Memórias de um Cabo de Vassoura” foram salvos, no meio de outros que me acompanharam na infância. Meu irmão mais novo tem livros que não li, e que nem sei se valem a pena guardar. Essa decisão caberá ao afeto dele.

 

A grande razão de guardar esses livros de criança e não doá-los para uma biblioteca ou para a molecada da vizinhança é que eles são um sonho. Não me acho maternal, longe disso. Mas me peguei imaginando-me com meu filho no colo, ou ao meu lado, lendo histórias e poeminhas para ele. E mais tarde, cada um lendo no seu cantinho, esse hábito de plantar sementes na cabeça e regá-las todo dia um pouquinho sendo cultivado junto. Plantar no coração de um filho a capacidade de sonhar, de amar, de sentir.

 

Não sei se terei um filho. Se Deus me der um dia esse presente, quero a ele dar também o presente de poder ter vários mundos. Não só o mundo do computador, da televisão e do vídeo-game, mas também o mundo das letras e das tintas, da música e das corridas na rua. O mundo de esconde-esconde e de faroeste com pistolas e cavalos de brinquedo, de pisar em terra e grama.

 

Não são os livros que estão em jogo. É a possibilidade de que uma criança daqui a alguns anos possa escolher uma vida menos fragmentada e alucinante. Não é negar o que a vida urbana — seu ritmo, sua tecnologia, seus assuntos — se tornou, mas é lembrar que não é o único jeito de viver. Muito menos ignorar o futuro, mas aprender a viver com o passado. Não é diminuir um pequeno mundo, mas permitir que meu filho escolha deixá-lo maior.

 

Será que esse começo, de livros ao pé da cama, dará conta de tantos sonhos?

Confusão sanguínea

 

Acordo sonolenta, preocupada com tudo que tenho que fazer. Um pouco mais tarde do que gostaria.

Faço café. Tomo uma caneca, daquelas que deixam meu pai extremamente preocupado com o bom funcionamento dos meus órgãos vitais.

Computador ligado, abro a caixa de e-mails e me pré-desespero com o trabalho que tropeça em vez de andar.

Tomo mais café. Quando me dou conta, vejo que já sequei um bule inteiro.

Em poucas horas, percebo que estou esfuziante e com mãos ligeiramente trêmulas. Mais empolgada com o trabalho, pelo menos.

Almoço creme de legumes, “pra desintoxicar”. O trabalho finalmente anda, e cafeinada no último, vou pro sofá ler um pouco.

Mais umas horinhas depois, e o trabalho engasgando voltando a andar, como uma colherzinha de doce de leite, pra liberar endorfinas. Tenho a impressão de acabei de reintoxicar tudo que eu desentoxiquei na hora do almoço.

O corpo humano é uma máquina maravilhosa. O que será que acontece se eu tomar um gole de conhaque?

 

***

Eu amo jornalismo.

Morangos Silvestres - para começar a gostar de Bergman

            Morangos Silvestres (Smultronstället, de 1957) pode não ser a obra-prima de Ingmar Begman, mas é certamente uma das grandes-obras primas do cinema. Isak Borg é um médico interpretado por Victor Sjöström, que, depois de uma vida inteira no exercício da profissão, está a um dia de receber o título de doutor Honoris Causa na Universidade de Lund.

Sentado na escrivaninha de seu escritório, seu cotidiano se desenrola enquanto a voz grave narra como o médico vê a si mesmo: organizado, aficionado ao trabalho. Vive sozinho; apenas a criada rabugenta, há muitos anos trabalhando para ele, lhe faz companhia. Há também um cachorro. Isak é viúvo, e o filho, já casado, mora em outra cidade.

No dia de receber seu prêmio, parte para Lund acompanhado da nora Marianne (Ingrid Thulin), que se desentendeu com o marido Evald (Gunnasr Björnstrand). O caminho é não apenas um retorno à cidade onde Isak havia estudado e iniciado sua carreira, mas também um choque frontal com os principais eventos do passado que o magoaram na vida, e um repasso da falta de amor que Isak acumulou por anos.

            Bergman conduz o espectador a um caminho que qualquer um acaba tendo que trilhar em algum momento. Confronto após confronto, Isak encara a si próprio. Em ácida conversa com Marianne, na primeira parte do caminho, ela o acusa de ser um velho egoísta, incapaz de se preocupar verdadeiramente com alguém. Ele discorda vagamente, surpreso com as acusações. Tenta contar para ela o estranho sonho que tivera. O onírico de Bergman é magistral: Isak está perdido numa parte desconhecida e deserta da cidade onde mora e surge uma carruagem fúnebre, sem cocheiros. Andando a esmo, o trote dos cavalos acaba por derrubar o caixão, onde, aterrorizado, Isak descobre o próprio corpo. Marianne o acusa de egoísmo, mas não quer ouvir o sonho e o priva do alívio de um desabafo.

            Isak decide parar na velha propriedade da família, onde seus tios e primos passavam os verões na infância. Surge mais um dos flaskbacks que pontilham a história — talvez o mais importante — à vista do canteiro de morangos silvestres. Foi lá que Isak perdeu o amor de sua vida, a prima Sara. O canteiro de morangos é o mesmo, mas estão lá o irmão e a então noiva de Isak, Sara. O casal está se beijando. Isak é interrompido pela voz de uma menina, e volta do devaneio. Uma garota está sentada ao seu lado. Chama-se Sara (Bibi Andersson ) e parece com a prima que Isak amou, provocando nele uma melancolia ainda mais profunda. Sara — a do plano presente — pede uma carona, e junto com um amigo e o noivo seguem com o médico e Marianne. O grupo é cheio de energia, jovem, intelectualizado, e contrasta imensamente com o silêncio de Marianne e a reticência bem-humorada de Isak.

            Um encontro forçado ocorre quando um carro desgovernado vem pelo sentido contrário da estrada, e quase causa um acidente. Um casal em crise brigava no volante, e Isak oferece carona até a próxima cidade. Os dois resolvem acertar as contas e Marianne pede que saiam do carro quando a discussão se torna cética, amarga e agressiva. O cineasta sueco passa por várias nuances do amor (ou da falta dele) em cada casal. A paixão indecisa e irresponsável da Sara do presente, a rejeição de Sara por Isak jovem, o casamento sem paixão de Isak, a reconciliação final de Marianne e Evald. Periclitante, o amor mina todas as relações que poderiam ter sido e não foram. Talvez causando mais amargura do que as outras, a mãe de Isak, numa visita que ele faz a caminho de Lund, fiz que sente o útero frio. É desse útero frio que saiu Isak, para uma vida fria e estéril.

A falta de amor é tema que Bergman percorre em vários de seus filmes. Em Morangos Silvestres três planos se fundem: a história, o sonho e o devaneio, que por vezes é quase um delírio. O cinema nórdico, conhecido também como “cinema de rosto”,  é explorado em tomadas que captam toda a expressividade de um elenco extremamente talentoso. A tradição desse cinema é antiga no cinema sueco, e a estabilidade econômica e a sociedade avançada de Bergman permitiram mais liberdade para a criação de filmes com um tom existencialista tão profundo. A importância dos personagens é a da representação de situações complexas e às vezes paradoxais que o homem moderno enfrenta. A contraposição de Lund, cidade do interior, com Estocolmo, onde Isak construiu sua carreira, é um símbolo da dissolução de relações. A geração da juventude de Isak era unida, os pais tinham muitos filhos. Isak não tem netos e vive em solidão. Como os outros personagens, em isolamento ou discórdia.

O triste cinema brasileiro

Cinema é caro. Sair de casa (perdendo tempo, muitas vezes, no imprevisível trânsito de São Paulo), desembolsar até vinte reais para ver um filme e ter a sensação de que deveria ter ficado em casa vendo alguma coisa no Telecine não é muito bom. E filmes brasileiros tem a má fama de programa duvidoso, do tipo descrito acima.

Confirmando a impressão:

Benjamin, baseado no livro homônimo de Chico Buarque. Não li o livro, e portanto, não posso me arriscar a dizer se o filme é fiel ou não à obra literária. Como tem acontecido em outras produções nacionais, o que parece ser o ponto forte são as atuações, em especial as de Cléo Pires e Paulo José. A história de Benjamim Zambraia corre ambientada no pós-ditadura. O roteiro (apesar da participação de Jorge Furtado na finalização), com o perdão do termo, " escorrega no quiabo". E a trilha sonora, óbvia e pouco original, desaponta. Eu esperava músicas à altura do Chico.

1,99, um supermercado que vende palavras: deixa saudade de Nós que aqui estamos, por vós esperamos. A maior semelhança entre os dois filmes é o título, muito longo. Marcelo Masagão lançou um longa de ficção pretensioso, que tenta discutir conceitos como o consumismo e as transformações da sociedade que ameaça alçar vôo, mas nunca decola. Raso, fica cansativo na primeira meia hora.

Rechaçando a impressão:

Narradores de Javé: se ainda não viu, corra para o cinema. A história de um povoado — Javé — que tenta se salvar de ser inundado pela construção de uma hidrelétrica é engraçada e bem dirigida. A diretora Eliane Caffé chamou para o papel principal José Dumont, que faz Antonio Biá. Repare na química que rola entre atores profissionais e amadores. Ou melhor, tente descobrir quem é amador e quem é profissional.   

   

 

O que fizeram com Norman Bates?
Tinha tudo para recusar, mas, corajosa, concordei com a escolha da fita, num fim de semana chuvoso: Psicose II. Sabendo que Hitchcock ganhou, com mérito, o apelido de “mestre do suspense”, que a cena em que Marion Crane é assassinada se tornou uma das mais famosas da história do cinema e que continuações de filmes que deram certo geralmente fracassam, é de se imaginar que o cineasta Richard Franklin seja um homem corajoso.

O filme começa bem, o que não é exatamente um mérito do diretor. Os primeiros minutos são a genial seqüência em que Norman Bates assassina a falsa protagonista de Psicose. Mesmo tendo completado 44 anos, a cena ainda é hipnotizante e forte. O espectador já contextualizado, damos um salto para uma audiência na qual se acerta os últimos detalhes da libertação/ alta de Norman, que nos laudos médicos é considerado mentalmente saudável.

Norman se imagina pronto para iniciar uma vida normal, e consegue um emprego numa lanchonete. No seu segundo dia de trabalho, começa a receber telefonemas e bilhetes, atribuídos a sua mãe. Mary Samuels (nome com o qual Marion Crane havia se registrado no motel, no primeiro filme), jovem que trabalha com ele na lanchonete, briga com o namorado e aceita o convite de Normam para passar alguns dias no Bates Motel, até as coisas se resolverem.  

Os bilhetes e telefonemas, autoritários e ameaçadores, são armação de alguém que pretende provocar Norman. Mary tenta ajudá-lo e logo se tornam amigos, embora Norman comece a ficar ansioso e desequilibrado de novo. Warren Toomey, gerente do motel despedido por Bates no seu primeiro dia de liberdade, é assassinado. Um rapaz que havia levado a namorada para se divertirem no porão da mansão também. Até que um dos suspeitos aparece morto. As suspeitas recaem sobre pessoas diferentes ao longo do filme, que tem algumas boas reviravoltas e momentos de suspense bem construídos, mas é triste ver o que fizeram com Norman Bates. Tentar explicar o que poderia ter acontecido com ele é um despropósito.

Ainda assim, o filme, de 1983, está disponível em VHS para quem estiver disposto a conferir a atuação de Anthony Perkins e Vera Miles (Lilá, irmã de Marion), revivendo seus personagens.

 

* * *

Tento imaginar como seria um filme contando o que veio antes ou depois de Casablanca. Alguém teria interesse em saber por que Rich Blaine e Ilsa Lazlo foram tão felizes em Paris? E se tivesse, será que não obstruiria os caminhos da imaginação?

Sobre a hipótese de uma continuação, nem me atrevo a pensar. Se ainda se esbarraram em cafés pelo mundo, se foram felizes, se Rick continuou um canalha cínico com as mulheres, não sei.

Prefiro deixar certas coisas para imaginação...

Entre a dor e o belo

Temática da pobreza atrai milhões de brasileiros ao cinema e segue gerando controvérsias

Uma casa de detenção em São Paulo, uma pensão decadente no Recife, um trajeto inóspito da ferrovia Central do Brasil, um conjunto habitacional mineiro que se degradou em favela. Os cenários de Carandiru, Amarelo Manga, Central do Brasil e Cidade de Deus já dão a entender: sim, vai-se falar de pobreza. Essa safra surpreende pela excelente bilheteria, embora o tema não seja recente no cinema nacional. “Não vejo novidade no uso do assunto, talvez apenas na forma da abordagem e na receptividade do público”, diz o jornalista e crítico de cinema Sérgio Rizzo, da Folha de S.Paulo.

Em 1965, Glauber Rocha já propunha uma forma contundente e mobilizante de se mostrar a pobreza. “Sabemos nós — que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto, — que a fome não era curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem, mais agravam os seus tumores”, sentenciava o cineasta no manifesto Uma Estética da Fome. Esse modo de fazer filmes marcou produções como Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, Cinco Vezes Favela, de Ruy Guerra, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, do próprio Glauber.

Nova roupagem

Apesar da continuidade temática, a pesquisadora Ivana Bentes afirma que, na atual produção do cinema brasileiro, pautada especialmente pela miséria, houve uma mudança conceitual. “Passamos da ‘estética’ à ‘cosmética’ da fome, da idéia na cabeça e da câmera na mão (um corpo-a-corpo com o real) ao steadcam, a câmera que surfa sobre a realidade, signo de um discurso que valoriza o ‘belo’ e a ‘qualidade’ da imagem, ou ainda, o domínio da técnica e da narrativa clássicas”, defende ela no artigo Quando o Árido Fica Romântico.

Marcelo Coelho, jornalista e articulista da Folha de São Paulo, discorda: “Do ponto  de vista moral, há tanto ‘gozo’ com a miséria alheia num filme dos anos 60 quanto num filme de 2000. E há tanta denúncia num como em outro. ‘Cosmética’ seria para fingir, para disfarçar a miséria. Onde há fingimento ou disfarce em Cidade de Deus?”.

Quem tem opinião semelhante é Celso Sabadim. “O cinema é um espelho da nossa realidade. Se a sociedade está muito violenta, é natural que o cinema reflita isso. Não acredito na espetacularização da miséria e da violência”, diz o crítico de cinema da Rede Bandeirantes. Sabadim também acredita que, para uma produção vingar em termos comerciais, “o segredo é fazer bem-feito”.

Até quando?

Velha ou nova, a exploração temática da pobreza ainda gera controvérsias. Para Ana Paula Sousa, jornalista da CartaCapital, há “oportunismo”, uma vez que “muitas produções são bancadas em função da necessidade pessoal de alguns diretores”. Na opinião dela, essa tendência deve continuar. “Mas porque tem dado certo, e não porque seja um processo reflexivo sobre o cinema nacional”, acrescenta.

Já Jefferson Del Rios considera que a expressão “cosmética da fome” é “um ataque pesado aos cineastas”.  O jornalista e crítico da Bravo diz não acreditar que o cinema esteja vivendo “uma tendência passageira, e menos ainda moda. Seria horrível ‘uma moda’ de se falar de sofrimento humano”.

A Europa é um bordel

O título não é o que parece. Em francês, a palavra bordel quer dizer, além de seu sentido literal, confusão, bagunça. E é a palavra que Xavier, personagem principal de Albergue Espanhol, do diretor francês Cédric Klapisch, mais usa para definir sua vida e o apartamento que divide com estudantes europeus de vários países. Não só da bagunça visual, mas lingüística. Não só bordel, mas babel.

Barcelona é uma cidade culturalmente agitada e aberta ao diferente — não por acaso é cenário de Albergue Espanhol. A variedade de cores, formatos, personalidades e idiomas combina com um dos maiores orgulhos da Catalunha: as casas construídas por Gaudí, arquiteto que inventou uma harmonia única, feita com o caos e a desordem.

O francês Xavier (Romain Duris, em seu quarto filme com Klapisch), recém-formado em economia, parte à Espanha para fazer uma especialização na Universidade de Barcelona. A viagem começa com expectativas: um amigo do pai de Xavier prometeu um emprego na Comissão Européia caso se especializasse em economia espanhola e aprendesse o idioma; Xavier passaria uns tempos livre da mãe, uma hippie tagarela e obcecada por comida natural, além da chance de simplesmente mudar de ares.

Apesar dos percalços para se adaptar a uma nova língua, encontrar um lugar para instalar-se, ter deixado na França a namorada Martine (Audrey Tatou, protagonista de O fabuloso destino de Amélie Poulin) e da nostalgia de ter trocado uma rotina tranqüila pelo desconhecido, Xavier encontra um grupo de estudantes de vários países para dividir um apartamento, no qual se sente mais em casa do que na própria casa. E que grupo! Uma inglesa, um italiano, uma espanhola, um alemão, uma belga, um francês e um dinamarquês. Todos de países membros da União Européia — países economicamente estáveis e guardando, por assim dizer, uma certa distância dos primos pobres, como Grécia ou Irlanda.

Apesar da saudade que sente por Martine, Xavier acaba se envolvendo com a também francesa Anne Sophie (Judith Godrèche), esposa de um médico que trabalha em Barcelona. Aliás, ninguém parece estar à vontade com seu antigo par, de seu país de origem. A inglesa Wendy, apesar de ter um namorado do outro lado do canal da Mancha, se envolve com um americano; a belga Isabelle tem um flerte com uma professora de flamenco espanhola e acaba brigando com sua namorada, que veio da Bélgica visitá-la.

Os pequenos conflitos no dia a dia dos estudantes também deixam à mostra que se o melting pot cultural é uma festa, tem também seus contratempos. Na divisa com a França, no sudoeste da Espanha, se fala o catalão, idioma oficial da terra de Salvador Dalí, e que lembra um misto entre o francês e o castelhano. É nessa língua em que as aulas da pós-graduação de Xavier são ministradas, e apesar do Erasmus (programa de intercâmbio acadêmico) incentivar a vinda de estrangeiros, a troca de farpas é inevitável. O professor catalão se recusa a usar o castelhano para continuar dissertando sobre a globalização — paciência. Resta aprender um pouco melhor a língua materna de Joan Miró.

Sem generalizar, o filme brinca com alguns estereótipos, como a batida diplomacia francesa. Klapisch perguntou aos outros atores como eram os franceses, e a partir das respostas, boa parte da personalidade de Xavier foi formada. O roteiro foi escrito em 12 dias, e parte dos diálogos e personagens foram feitos junto com os atores. O quarto que Tobias e Alessandro dividem é uma metáfora visual da disciplina alemã e da displicência italiana, embora seja melhor não comentar nada em voz alta... A mágica do cinema é essa: apesar de alguns diálogos do filme não deixarem dúvidas de que falamos da dificuldade que é a convivência quando há diferenças, Klapisch contou bem uma história usando a imagem, lançando um olhar ao mesmo tempo estrangeiro e poético sobre Barcelona.

Aconteceu naquela noite

Aconteceu naquela noite, embora não seja excepcional, é delicioso de assistir. O filme de Frank Capra lembra um pouco a história de A princesa e o plebeu, embora a Audrey Hepburn esteja mais bonita do que Claudette Colbert.

Ellen Andrews é a filha de um magnata, e se casa com King Westley, contra a vontade do pai. Consegue escapar do barco onde está presa e compra uma passagem de ônibus para Nova Iorque. Se vencer os 1.600 quilômetros que a separam do marido, poderá ter controle sobre a própria vida, longe das exigências da refinada família. Porém, a mala com seu dinheiro e pertences é roubada. Adivinhe quem socorre Ellen? Um jornalista, que a ajuda em sua fuga enquanto pensa na melhor maneira de aproveitar o furo que veio parar em suas mãos.

Ellen é mimada, chata e irritante. Embora seja ingênua e não tenha muita experiência, é inteligente e tem sempre uma resposta (às vezes precipitada) na ponta da língua.  Porsonagem feita sob medida para Peter Warne (Clark Gable), um jornalista talentoso e canastrão, recém demitido por telefone, depois de perder uma matéria numa bebedeira.

O filme escorrega em alguns clichês, mas há cenas originais e impagáveis, como aquela em que Peter “ensina” à Ellen a arte de pedir caronas... Foi a primeira produção a ser premiada com o Oscar “grand slam”: melhor ator, atriz, diretor, fotografia e roteiro adaptado. As atuações do filme têm uma das qualidades que mais prezo numa comédia: timing. Claudette não é uma atriz sensual — o figurino de 1934 não ajudava nesse quesito —, mas química em cena rende momentos divertidos e naturais, como o das rosquinhas, ou quando Clark explica que cada homem se despe de um jeito diferente.

O relacionamento forçado entre os dois — da parte dela, por depender da ajuda de um estranho, e dele, por precisar de um furo de reportagem — cria uma tensão que se rompe na tela quando ambos começam a apreciar a companhia um do outro, embora não admitam. A fotografia do filme, quando o par é obrigado a dormir no relento, parece ser a ilustração de uma fábula, como se um encantamento pairasse sobre eles. As árvores cintilam, a luz é feérica.

Como disse o cineasta Wim Wenders no documentário Janela da Alma, um bom filme deixa espaço para ler nas entrelinhas. E esse filme tem a virtude de não banalizar o olhar com excessos, e ter muito a dizer numa troca de olhares, no pijama ou vestido de casamento que Ellen usa, no fino cobertor que serve de divisória improvisada quando o casal de desconhecidos se vê obrigado a dividir um quarto.

Em quarenta anos, o cineasta Frank Capra dirigiu 53 filmes, e foi premiado pela academia como melhor diretor por Aconteceu naquela noite (1934) e O galante Mr. Deeds (1936). O sucesso do filme foi imprevisto, já que atrizes como Constance Bennett e Myrna Loy recusaram o roteiro. Claudette Colbert só o aceitou porque Capra prometeu que dobraria seu salário e ela estaria livre das filmagens em quatro semanas. Ela deu tão pouca importância para o filme que quando recebeu o Oscar de melhor atriz, estava em trajes de viagem, já que nem pretendia ir à cerimônia. Já Clark Gable tinha um contrato assinado com a MGM, mas estava emprestado “de castigo” para a Columbia, de pouco prestígio na época.

 

 

No princípio era a crítica de teatro. Depois fez-se luz, câmeras e ação. Comecei a gostar de cinema, e ainda não abandonei a idéia de um dia ser crítica de teatro, ou quem sabe de arte, dependendo de onde o vento me levar. O grande problema é que, sendo desmemoriada, às vezes fico perdida, misturando histórias, fotografias, nomes de atores e personagens, confundindo diretores, principalmente quando vejo mais de dois filmes por dia. A confusão parece exagerada, quase absurda, mas não é: minha história de amor é dupla e tem pouco mais de quatro meses.

 

Resolvi fazer um blog, para escrever sobre os filmes que vejo e manter uma espécie de diário das minhas relações com a arte. Sabendo da minha preguiça, nem me proponho a escrever sobre todas elas, do graffite que me chamou a atenção no muro a Mostra BR de Cinema. Por enquanto, vou tentar ser assídua aos filmes, pelo menos. Que as musas me inspirem!

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